Brasão Diocesano de Lorena

Escudo: clássico ou antigo francês em esmalte de purpure, com bordure de argente. Do ponto de honra, até o umbigo, e do cantão direito do chefe ao cantão esquerdo do chefe, a pala em cruz chá de argente. No flanco direito uma coroa florenciada de jalde. No flanco esquerdo um gotado de gules. No umbigo, até o centro da ponta ou do contra chefe, a flor-de-lis de sinopla.

Insígnias: Mitra de argente, com pala e dois filetes de um no outro de argente.
Por trás do escudo, em aspas, estão uma Cruz Processional de Loren posta em banda e um Báculo posto em barra, de um no outro de jalde.

Listel: de jalde com mote de purpure.

Explicação

Desde os idos do século XVI, 1705, as terras de Guaipacaré estão sob a proteção da Mãe da Piedade! A cidade e posteriormente a diocese nasceram às margens do rio Paraíba e ao sopé da majestosa Serra da Mantiqueira. A exuberante fauna e flora sempre foram nossa riqueza, simbolizados na cor verde do brasão.

O manto púrpura da Senhora da Piedade foi estendido sobre este pitoresco canto do Brasil. A cor púrpura não remete somente à dor, remete também ao místico, à espiritualidade; mesmo com o coração lancetado pelo sofrimento, revela a Virgem Maria, Mãe do Senhor, revestida da sabedoria e grandezas divinas, aquela que ‘guardava e meditava tudo no coração’, à luz do Sol Divino. (A origem da cor púrpura se encontra às margens do Mediterrâneo, quando extraíram a secreção de um segregado de um molusco; os tecidos banhados neste fluido revelam a tintura púrpura brilhante quando seco ao sol).

O contorno em prata simboliza a pureza, a integridade, a firmeza e a obediência daqueles que se achegam à Mãe e, como ela, estão a serviço do Reino. O nosso povo religioso, na sua simplicidade e piedade popular, sempre teve a Virgem Mãe de Deus como esteio para a fé, quando nas rezas se coloca no entorno de Nossa Senhora.

A faixa em forma de cruz no centro do escudo, tendo de um lado a coroa da vitória e do outro as gotas em vermelho (sete) remete à profecia de Simeão à Virgem. No antagonismo da alegria e da dor, lá apresenta o recém-nascido ao Pai, e cá exangue e desfalecido descido da cruz. A cruz revela a ambiguidade daquele que se esvazia e se entrega por inteiro e daqueles que sentem a exigência ao tomá-la para o seguimento. É sinal da graça para a humanidade, é comprometimento na simplicidade e na verdade. “Combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé, desde agora me está reservada a coroa da vitória…”, como afirmara o apóstolo dos gentios. É dom/graça e tarefa.

A flor-de-lis é um dos sinais antigos para designar a Virgem Maria, na sua virgindade e pureza; é também figura da Trindade. Traz a cor verde significando, na linguagem heráldica, a esperança, a fé, a amizade, os bons serviços prestados, o amor, a juventude e a liberdade. Desta forma, como Maria, cheia de fé e esperança, somos chamados, no amor, para nos colocarmos a serviço do Reino na amizade e proximidade com Jesus.

A Igreja Particular de Lorena, representada nas insígnias, que tem a missão de instruir, santificar e governar os fiéis, como mãe, a exemplo de Maria, acolhe a todos para conduzi-los a Deus!